Ecos de Duplicatas: O Espelho Partido
Mystic Falls nunca foi apenas uma cidadezinha pacata. Por trás das fachadas históricas e dos sorrisos falsos, existe um rastro de sangue, manipulação e decisões que custaram almas. Enquanto os irmãos Salvatore se perdem no jogo de duplicatas, o passado finalmente cobra seu preço. Esta não é uma história de amor épico; é um registro sobre as consequências de séculos de egoísmo. A verdade chegou, e ela tem o rosto de uma Petrova
O Contexto: O Estado de Mystic Falls
Linha do Tempo: Os eventos de Ecos de Duplicatas iniciam-se cronologicamente logo após os episódios de abertura da 5ª Temporada. A narrativa parte do momento em que a mortalidade de Katherine Pierce deixa de ser um segredo e a presença de Nadia Petrova começa a desestabilizar as fundações da mansão Salvatore.
A Situação Atual:
- Katherine Pierce: Após cinco séculos fugindo de Klaus Mikaelson, ela foi "curada" contra a própria vontade. O corpo humano de Katherine está falhando, ela está envelhecendo, sentindo frio, fome e doenças mundanas — uma humilhação para quem se sentia um deus.
- Os Fundadores e o Legado: As famílias fundadoras mantêm o controle da cidade sob uma mentira constante. O papel dos Salvatore, que sempre foram os protetores ocultos, está em xeque após a revelação da natureza de Elena Gilbert.
- Nadia Petrova: A filha perdida de Katherine finalmente emergiu das sombras, revelando que a linhagem Petrova é muito mais complexa e perigosa do que os Salvatore imaginaram.
- O Cenário de Talia: O surgimento de Talia não é um acaso. Ela representa a "fatura" do passado que a linhagem de Katerina Petrova tentou esconder.
Nota da autora: Para fins de visualização, Talia possui os traços da atriz Victoria Justice, mantendo a estética da linhagem Petrova com um ar mais frio e imponente.
## Capítulo 1: O Espelho Partido
O salão principal da mansão Salvatore parecia menor diante de tanta tensão. Minutos antes, Nadia Petrova havia soltado a bomba que guardava por cinco séculos: ela era a filha perdida de Katherine Pierce.
Damon segurava um copo de bourbon, com o típico sorriso sarcástico travado nos lábios, enquanto Stefan tentava processar a informação. No sofá, Katherine — agora humana, vulnerável e tossindo por conta de um resfriado comum que ela detestava — olhava para Nadia com uma mistura de choque e negação.
— Filha? — Katherine riu, uma risada nervosa e sem o brilho de outrora. — Eu tive apenas uma filha. Uma bebê que foi arrancada dos meus braços na Bulgária. Você está mentindo.
— Eu passei séculos procurando por você, mãe — Nadia deu um passo à frente, os olhos marejados. — Eu me transformei no monstro que você é só para cruzar o tempo e te encontrar.
Antes que Katherine pudesse responder, o som pesado da porta de carvalho da mansão se abrindo ecoou pelo corredor. Passos firmes e decididos de saltos altos bateram contra o chão de madeira.
Damon revirou os olhos, sem paciência.
— Ótimo. Quem mais vai entrar sem bater? Se for o Klaus querendo açúcar, eu juro que...
As palavras sumiram da boca de Damon. Stefan se levantou num salto, e até Katherine congelou.
Uma garota cruzou o portal do salão. Ela exibia traços perfeitamente simétricos e um olhar penetrante, de uma beleza avassaladora que não deixava dúvidas: era sangue do mesmo sangue da linhagem Petrova. Era como observar uma pintura renascentista ganhando vida, embora carregasse uma aura fria e imponente, uma dureza no olhar que ninguém ali — nem mesmo Elena ou Katherine — jamais demonstrara
Seu olhar varreu o quarto, ignorando os vampiros, até pousar na figura frágil de Katherine no sofá.
— Ora, ora... — a voz da garota era aveludada, mas cortante como uma navalha. — A grande, temível e implacável Katherine Pierce... reduzida a isso? Espirrando, cheia de olheiras e com medo de rugas. O carma realmente é fascinante, não é?
Katherine se encolheu de leve, o instinto de sobrevivência gritando.
— Quem é você? — Katherine exigiu, a voz falhando. — Mais uma duplicata?
— Não seja ridícula, Katerina. Duplicatas são cópias baratas do destino. Eu sou algo muito mais real — a garota deu um sorriso de canto, caminhando com elegância até o centro da sala. — Nadia não mentiu quando disse que você teve uma filha na Bulgária. O que ela não sabe... é que você teve outra. Séculos depois. Me chame de Talia.
— Não... — sussurrou Katherine, olhando para as feições da jovem. — Você... você era só uma bebê quando eu te deixei. Como me encontrou?
— Eu não precisei te procurar, Katerina. Diferente da tonta da Nadia, que passou séculos rodando o mundo atrás de você, as bruxas que me criaram me deram um presente: a minha ligação mística com o seu sangue — Talia explicou, com os olhos faiscando de uma mágoa antiga. — Eu sempre soube onde você estava. Cada fuga sua do Klaus, cada rastro de sangue que você deixava... eu sentia tudo. Eu só não queria olhar na sua cara. Mas agora que você virou essa humana patética e vulnerável, eu decidi que era hora de assistir ao seu fim de camarote. Sem contar que eu cansei de sentir a sonsice da sua cópia de longe e decidi ver o circo de Mystic Falls pessoalmente.
Nesse momento, a porta lateral se abriu e Elena Gilbert entrou na sala, atraída pelo barulho. Ela parou ao ver a desconhecida que se parecia tanto com ela e com Katherine.
— O que está acontecendo aqui? Quem é você? — Elena perguntou, adotando aquele tom clássico de preocupação e liderança, dando um passo proprietário em direção a Stefan e Damon.
Talia virou-se devagar para Elena. No mesmo instante, as pupilas da recém-chegada dilataram de forma mística. Graças à sua ligação de sangue única com a linhagem das duplicatas, ela conseguia enxergar através das máscaras de Elena e Katherine, captando cada hipocrisia e sentimento oculto delas.
Um sorriso cínico surgiu no rosto de Talia.
— E você deve ser a Elena. A famosa "santa" de Mystic Falls — ela disse, caminhando ao redor de Elena como um predador avaliando a presa. — É realmente fascinante ver de perto a garota que consegue partir o coração de dois irmãos e ainda deitar a cabeça no travesseiro achando que é a maior vítima da história.
— Ei! Olha como fala com ela — Damon interveio instantaneamente, dando um passo à frente com os olhos de vampiro saltados, estendendo a mão para empurrar a garota.
Antes que Damon pudesse tocá-la, Talia apenas moveu uma das mãos no ar, usando uma canalização rápida de telecinese que jogou Damon contra a parede de tijolos com força.
— Fique no seu lugar, Damon — ela ordenou, sem nem olhar para ele. Depois, voltou seus olhos intensos para Stefan e depois para Damon, que se recuperava do baque. — Vocês dois são patéticos. Um assunto vergonhoso para a raça dos vampiros.
— Você não sabe nada sobre nós, ou sobre a Elena — Stefan disse, a voz firme, embora estivesse impressionado com o poder dela.
— Eu sei tudo sobre as duplicatas Petrova. Eu sinto o que ela sente. Eu vejo o que ela faz quando vocês não estão olhando — Talia riu, uma risada amarga. — O Damon aceita migalhas de atenção enquanto ela se esconde no quarto, e você, Stefan, limpa as lágrimas dela toda vez que o Damon faz uma besteira. Sabem o que ela pensa de vocês no fundo daquela mente sonsa e egocêntrica? Ela vê vocês dois como os "amores épicos" dela. Como troféus em uma estante.
Elena empalideceu no mesmo segundo, sentindo como se sua alma estivesse sendo despida na frente de todos.
— Isso não é verdade... eu amo o... — Elena tentou gaguejar, mas a voz sumiu.
— Você ama o fato de ter os dois na coleira, Elena — Talia a cortou, fria. — A minha mãe, a Katherine, é um monstro. Mas pelo menos ela assume o caos. Ela diz na cara que é egoísta e que queria os dois irmãos. Mas você? Você chora, dá beijo na boca do Damon no leito de morte dele enquanto namorava o Stefan, e deixa ele deitar na sua cama e mexer nas suas roupas íntimas sem impor limites. E quando você finalmente fica com o Damon, o que você faz? O Stefan sai do cofre sem memória e você, em vez de se afastar, leva ele para um "tour romântico". Leva ele para a escola, para o cemitério, para a floresta... revive cada momento íntimo de vocês, joga charme e, quando o cara vai te beijar na floresta, você recua e diz cinicamente: *"Ah, mas eu estou com o seu irmão"*. Você atiçou o cara de propósito! Você é igualzinha à minha mãe. A diferença é que a Katherine usa salto alto para caçar, e você usa lágrimas para manipular.
Damon e Stefan olharam de relance para Elena. Pela primeira vez em muito tempo, uma semente de dúvida genuína foi plantada na mente dos irmãos Salvatore. O silêncio de Elena era quase uma confissão.
Talia limpou uma poeira invisível de sua jaqueta, olhou para Katherine, deu um aceno tenso para Nadia e olhou para a plateia chocada antes de dar as costas para a porta.
— O show está apenas começando, família. Espero que vocês tenham estômago.
E, com a mesma elegância com que entrou, Talia bateu a porta da mansão, deixando para trás um rastro de verdades destrutivas que Mystic Falls jamais conseguiria apagar.
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Relato registrado nos arquivos de Mystic Falls. — O Cronista.

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